A Place
to Departure

Tecnologia afasta ou aproxima as pessoas?

No contexto de digitalização dos processos conhecidos de interação social, a tecnologia aparece muitas vezes como uma vilã da trama social. Sendo retratada em filmes e histórias como o meio que desumaniza, escravisa e ao fim mata o humano como o conhecemos.

Edson Pavoni propõe em A Place to Departure, 2013 uma imagem otimista para o uso da tecnologia como instrumento de conexão entre humanos e discute sobre a nossa responsabilidade de projetar e apoiar artefatos tecnológicos que nos aproximem.

A Place to Departure é uma instalação interativa que permitia que uma pessoa em Beijinã, na China, pudesse sentir o toque de uma pessoa em São Paulo, no Brasil.

A instalação, que é composta de uma chapa de madeira e uma de vidro encaixadas de forma transversal, evoca signos de objetos não tecnológicos como o muro e a janela.

Contudo, quando alguém tocava no vidro em Beijing e outra pessoa tocava o vidro em São Paulo, no mesmo lugar e ao mesmo tempo, as duas pessoas sentiam como se tocassem por meio de uma gentil vibração.

Os sensores que monitoravam a posição das mãos de alguém tocando o vido, os atuadores que faziam o vidro vibrar e toda a eletrônica de comunicação entre instalações ficavam escondidos dentro da estrutura da obra, invisível aos visitantes, de forma que só restassem as pessoas e a conexão entre elas.

A tecnologia não se resume aos componentes eletrônicos, que rapidamente se tornam obsoletos. A tecnologia, que ali se torna transparente, é uma extenção da mão humana.


A Place to Departure nos Emirados Árabes

Em 2015, comissionada pelo maior evento de arte e design dos Emirados Árabes, o DDD, a instalação A Place to Departure foi novamente montada. Desta vez para conectar o distrito histórico de Al Fahid com o novo distrito de Dubai.

Na cultura Árabe o toque é um símbolo sagrado e restrito. Mulheres tocam apenas seu marido ou membros da sua família.

A força simbólica do toque por meio da instalação atravessou o campo metafórico e criou conflitos em alguns participantes. Durante a exposição algumas mulheres, ao entenderem a dinâmica da instalação e a possibilidade de tocar, mesmo que remotamente e simbolicamente, um estranho decidiam por não tocar o vidro.

O que reforça a intimidade na conexão possível por meio da instalação e, por consequência, da tecnologia.


Artista:
Edson Pavoni

Curadora:
Olivia Yassudo

Galeria:
Coletivo Amor de madre

Produtores executivos:
João Marcos de Souza, Olimpia Pavoni e Nana Janus

Estratégia de produção e Líder de design:
Pagu Senna

Designers:
Felipe Minuti, Carolina Anselmo, Vitor Reis, Zeh Fernandes, Junior Magalhães e Raphael Fagundes

Eletrônica:
André Biagioni e Diego Spinola

Software:
Victor Gama, Armando Neto e Robson Coelho

Fotografia:
Isabela Herig, Pedro Fonseca e Juliana Matos

Vídeo:
Jorge Teivelis Neto e Pedro Fonseca